segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sobre os livros que leio (ou não)


Confesso: não leio por prazer, muito menos para colecionar livros ou ficar para mais 'culto'. Leio porque cada livro, para mim, guarda uma história que deveria ser minha. Os livros representam sempre alguma coisa que esteja vivendo, por isso, nem sempre os termino, nem sempre os leio com a mesma velocidade, nem sempre leio...
Bom, leio livros de amor quando estou apaixonado. Leio teorias quando me sinto perdido. Leio poesia todos os dias para colori-los, são os únicos textos aos quais me entrego por completo.
Vou exemplificar: quando conheço alguém especial sempre escolho um livro. Mesmo que a história em nada se pareça com a minha, ela se torna parte de mim instantaneamente.
Numa bela noite de sexta-feira conheci um destes sujeitos especias, o mesmo que deu as respostas certas às minhas perguntas idiotas da postagem anterior e uma coisa inédita aconteceu. Não escolhi um livro, mas ele me emprestou um. Uma história linda e distante que em nada se parecia com a nossa. Nem sei se tivemos uma história, mas não consegui terminar o livro, por falta de tempo, por falta de coragem, por falta de perspectiva. Minha história, que lembro de cada detalhe, não teve fim e isso marcou o destino do livro também: não terminei de ler.
Ler faz parte de mim, depois não lembro do título, personagens tampouco. Agora tudo isso é meu, histórias não terminadas, poemas coloridos, amores resolvidos. Os livros que leio os possuo plenamente, na mesma intensidade em que me possuem sem pedir. Apenas nos possuímos porque nos lemos.

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